Economia UNIARA


iniciação científica

Significados e possíveis impactos da Iniciação Científica sobre os Cursos de Administração e de Economia da UNIARA

Vera Mariza Henriques de Miranda Costa1        

A atividade de pesquisa, que durante muito tempo, esteve preponderantemente associada aos programas de Pós-Graduação, cada vez mais passa a fazer parte da agenda dos Cursos de Graduação, anteriormente voltados, preponderantemente, para as questões referentes ao ensino, como se não houvesse uma conexão direta entre ensino e pesquisa. Ficava quase que explícita a idéia de que, no âmbito da Graduação a pesquisa se restringia ao levantamento de informações já produzidas e trabalhadas, à coleta de análises elaboradas, à localização e reprodução automática de textos que atendiam às questões propostas em salas de aula. Em contrapartida, caberia à pesquisa desenvolvida na esfera da Pós-Graduação a descoberta de novas informações, a obtenção de novos dados em direção à formulação de novos conceitos.

A inclusão – nos projetos pedagógicos dos diversos cursos de graduação – de disciplinas que, com diferentes designações, têm por objetivo a apresentação e discussão dos métodos e técnicas da pesquisa científica, constituiu um passo significativo para a valorização da pesquisa na graduação, fornecendo, ainda, as bases para a investigação que dá suporte às monografias e aos demais trabalhos de conclusão de curso.

Mesmo assim, permaneceu a visão de que a pesquisa científica se identifica com a formação profissional acadêmica, reforçando, nesse sentido, a procedência de sua realização no âmbito da Pós-Graduação.

A implantação de programas de Iniciação Científica, nesse sentido, constitui mais um passo no processo de estímulo à pesquisa científica na graduação, reforçando a concepção de que é durante a prática da investigação que se formam novos profissionais responsáveis e conscientes de suas funções e que estarão voltados profissionalmente para os mais diversos campos de atividade.

A Iniciação Científica, portanto, deve ser encarada como forma de apreender o mundo e a realidade, por meio da ciência. Assim sendo, todo estudante de graduação deve ser treinado para, através de uma visão crítica e do domínio de conceitos, ser capaz de dispor de instrumentos que viabilizem a apreensão da realidade, de uma forma sistemática e organizada.

Diversamente das Ciências Experimentais, que pesquisam “em laboratório”, a Administração e a Economia, na condição de Ciências Sociais, substituem a experimentação pela observação. Nesse sentido, abre-se a possibilidade aos estudantes dessas áreas, sobretudo os que se encontram profissionalmente vinculados ao mercado de trabalho, que desenvolvam suas investigações, de uma perspectiva científica, em seus próprios ambientes de trabalho, desde que devidamente formados e orientados para tal fim. Dessa forma poderão ampliar o conhecimento da realidade na qual atuam, através de Programas de Iniciação Científica.

Além do mais, criam-se condições para o estabelecimento de uma “via de mão dupla” entre a Instituição de Ensino Superior (IES), de um lado e, de outro, as demais instituições e empresas, onde se encontra o objeto das investigações.

Deve-se desmistificar a idéia de que “a ciência só se aplica para fazer ciência” ou seja, sua prática está restrita ao “universo acadêmico”. Cada vez mais as empresas “de ponta” recrutam profissionais que dominam criticamente sua área. Inclusive o aprofundamento dos estudos e a obtenção de títulos de mestre e doutor passaram a ser valorizados por essas empresas.

Assim sendo, o desenvolvimento da Iniciação Científica nos cursos de Administração e de Economia viabiliza a formação de um profissional inovador, crítico, criativo e melhor habilitado para o mercado de trabalho, cada vez mais exigente. Deve-se lembrar que as Instituições de Ensino Superior (IES) têm para com a sociedade o compromisso de formar “ótimos profissionais”, críticos, consistentes em termos teóricos e portadores das habilidades necessárias ao exercício de suas funções, acadêmicas ou não acadêmicas.

1 Professora Doutora, pesquisadora do Departamento de Ciências da Administração e Tecnologia do Centro Universitário de Araraquara – UNIARA


© 2010 - Uniara - Centro Universitário de Araraquara