Estrutura familiar como suporte para o bom desempenho da escolha profissional

Ana Cristina Alves Lima

As necessidades universais do ser humano em pesquisar, descobrir, elaborar, ser apoiado, criativo e de formar-se, fazem parte do processo educativo. A educação é uma atividade criadora, que tem por objetivo levar o ser humano ao desenvolvimento de suas potencialidades físicas, intelectuais, morais, sociais e, até mesmo, espirituais. Quando falamos em educação, facilmente pensamos na escola como a principal responsável por essa orientação. Ela não é a única responsável pela formação do indivíduo, os pais são os responsáveis pelas primeiras aprendizagens que acontecem no ambiente familiar.

O período educativo do ser humano, no qual a educação mais se intensifica e se apresenta de forma sistematizada é na infância e adolescência. As primeiras aprendizagens acontecem no seio familiar e depois outros grupos de referência também contribuem para o processo educativo e formativo do ser humano. Assim, tanto família sociedade, bem como a escola formal, influenciam tanto de forma positiva quanto negativa na formação educativa do indivíduo. A educação é, sem dúvida, um dos direitos fundamentais do homem. Dewey (1971), por exemplo, já dizia que a educação não é uma preparação para a vida, mas a vida em si. Ela pode ser considerada uma realização humana, que proporciona a oportunidade de descobertas, e que com elas se ajuste e sinta-se feliz, seja útil a si e à sociedade.

A educação, tanto na escola quanto na família, deve estar alicerçada numa filosofia de vida que deve coincidir para que haja coerência no processo educativo. A escolha da escola deve ser pautada em conceitos importantes que a família deve elencar como prioridade de aprendizagem para seus filhos.

O psicanalista Ivan Capelatto, em uma palestra sobre responsabilidade (disponível aqui), enfatiza o papel dos pais no suporte aos filhos, para que cresçam responsáveis por seus atos. Todo o cuidado com bebê nos primeiros anos de vida é fundamental para que ele se sinta amparado e apoiado. A frequência, constância no cuidado e no afeto, possibilitam o desenvolvimento de instâncias psíquicas para o funcionamento saudável do indivíduo. E a consequência de todo esse cuidado é a noção de responsabilidade.

A educação valoriza o homem, que tem como uma das mais importantes características poder aprender, educar-se, adquirir novos conhecimentos e progredir. Todo indivíduo tem valiosa capacidade de refletir sobre si mesmo, de autoanalisar-se e querer ou não aprimorar-se. Características da personalidade trazem em si anseios e angústias que variam de pessoa para pessoa, que por sua vez irão influenciar os planos, ideais e até atitudes que levam o ser humano a buscar respostas para suas interrogações e incertezas, que em algum momento da vida necessitam ser respondidas.

As responsabilidades por suas escolhas e direção futura de sua vida entram em jogo na adolescência. O processo de orientação profissional pode ser um momento estratégico, no qual o indivíduo irá acessar as capacidades desenvolvidas ao longo da vida. Essa orientação, em cooperação com a família e sociedade, deve se basear no planejamento e aconselhamento, levando em conta as experiências, afazeres, atividades extracurriculares do aluno, bem como sua situação socioeconômica.

Segundo Bock (2008, p 314), a orientação profissional “é um momento de conflito, mas não exclusivo na construção de um futuro”. Não se pode negar que o jovem tem responsabilidade por essa escolha, mas a sociedade, nesse sistema capitalista no qual vivemos, faz crer que o destino dos jovens está apenas em suas mãos. Será?

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