Celulares desligados durante a aula

Ana Cristina Alves Lima*

“Celulares desligados durante a aula” é uma das frases que mais repito para meus alunos durante o ano letivo. No primeiro dia de aula, informo o cronograma, os critérios de avaliação utilizados na disciplina e o horário da chamada, bem como os trabalhos que devem ser entregues e que os celulares devem ficar desligados durante o período da aula.

O horário da chamada os alunos cumprem, as entregas de trabalhos também! Lógico que alguns deslizes e esquecimentos acabam acontecendo, porém, o que eles mais burlam é a regra do celular desligado. Passo todas as aulas (sem brincadeira, sem exceção: TODAS mesmo) pedindo para não olharem mensagens ou acessar o Facebook.

Hoje em dia, a ansiedade por uma resposta logo após enviar uma mensagem pelo WhatsApp (ou outro aplicativo) não pode aguardar o término da aula ou outro compromisso. A ansiedade está em nós como característica de nossos comportamentos. A ansiedade pela reposta é mais uma entre as muitas coisas que podem nos causar ansiedade. No entanto, toda essa revolução tecnológica mudou inclusive o nosso tempo de reação.

Quantos de nós já apertou seguidas vezes o botão do elevador na tentativa de que ele chegue mais rápido? Obviamente, sem sucesso. O elevador chegará no tempo dele. São muitos estímulos a serem interpretados e respondidos atualmente. Sofremos de uma síndrome de fadiga de informações. O estresse foi considerado a doença do século passado e a depressão deste novo século.

Essa ansiedade passa a ser preocupante quando começa a atrapalhar a nossa vida e as outras atividades que temos que realizar durante o dia. O transtorno começa quando temos ansiedade por coisas ou eventos que antes não gerariam essa sensação, ou a ansiedade é fora de contexto diante a situação.

Vamos lembrar que cada pessoa tem um tempo de resposta. Nem todos estão disponíveis para responder uma pergunta, mesmo a tendo visualizado. A dica é realmente esperar para responder... NUNCA responder por impulso no calor da emoção. As mensagens tem o tom de quem lê. Se seu estado emocional se encontra abalado ou irritado, isso pode interferir no tom da mensagem, que pode não coincidir com o tom de quem escreveu e aí gerar brigas e confusões.

*Docente do curso de Psicologia da Uniara e mestre em Psicologia Escolar pela Pontifícia Universidade Católica - PUC de Campinas.

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