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História Perdida: Casarão histórico em Araraquara sofre com furtos e desgaste

Repórter: PAMELA TAMIRES CADAMURO

A cidade de Araraquara, com quase 194 anos, é repleta de monumentos que contam sua história por si sós. Praça da Independência, Matriz de São Bento, Museu Voluntários da Pátria, Rua Cinco, entre outros, são uma das riquezas históricas da cidade, mas ainda existe um deles muito pouco (ou quase nada) explorado: o casarão do assentamento Bela Vista.

O casarão pertenceu ao Coronel Antônio Joaquim de Carvalho. Com janelas enormes e vista para toda a fazenda, a construção, datada do final do século XIX, possui uma peculiaridade: a senzala fica no subsolo da casa, quando geralmente ficava ao lado. A fazenda onde ele está localizado passou por todo o processo do cultivo do café e, com a crise do produto, passou a ser de domínio da Usina Tamoio. Já em 1989, se tornou assentamento.

Segundo Silvani Pereira, moradora do assentamento, o orçamento para reforma/restauração do casarão ficou em torno de R$ 1 milhão, mas ainda não houve interesse de nenhum tipo de iniciativa (privada ou pública), na realização da obra.

Silvani conta que o assentamento já completou 20 anos e, quando o casarão foi descoberto, ainda existiam móveis e até alguns documentos. O mobiliário e a papelada de interesse histórico foram se perdendo por falta de segurança no imóvel. A entrada não é controlada e muitos curiosos acabaram levando praticamente todo o mobiliário e documentos.

Ainda segundo Silvani, já foi feito um pedido junto ao Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e à Prefeitura para que possam cercar a área.Isso evitaria a continuidade da depredação pelos que se abrigam no local. Alguns desses invasores eventuais depredam o que resta e até furtam o madeiramento, composto de peças de madeiras nobres como peroba-rosa e mogno, além das telhas, moldadas nas próprias pernas pelos escravos.

Segundo Marcela Virgílio Raimundo, gerente de patrimônio histórico de Araraquara, por enquanto não há nenhum projeto de restauração do casarão em execução, mas eles existem. Um deles propõe transformar o casarão num museu histórico, além de destinar uma área no entorno para atividades comerciais. Os moradores poderiam comercializar os produtos das plantações que possuem para os visitantes. Ainda segundo Marcela, até o final do ano a prefeitura deverá tentar um convênio com o BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social) para a reforma do local.

Enquanto nada é resolvido, o casarão continua à espera de, quem sabe um dia, poder contar a história de um cenário tão importante para a cidade.

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