reportagem

Desabrigados ocupam casas antigas em Araraquara

Repórter: Paulo Henrique Mantoanélli

A população de Araraquara (SP) não tem a quem recorrer quando se trata de imóvel abandonado pelo proprietário e ocupado por desabrigados. Segundo o coordenador de planejamento do Município de Araraquara José Roberto Garibaldi, a prefeitura pode apenas tomar ação quando se trata da falta de limpeza nas vias de passeios – calçadas – e quintais ou quando há risco à segurança pública como desabamentos.

Garibaldi alerta que não existe uma lei para obrigar o proprietário a manter um imóvel fechado e nos casos de imóvel desocupado, além da limpeza, que se não cumprida acarreta numa multa de R$ 114,35, também é solicitado seu fechamento.

No caso da residência, situada na Avenida São Paulo nº 522, ao lado da Igreja São Bento, o descuido do proprietário – que não foi possível ser localizado - tem influenciado no cotidiano de quem utiliza as suas proximidades.

O local abriga, há meses, pessoas que por vários motivos utilizam a residência para suas necessidades básicas e até atitudes ilícitas segundos testemunhas. Edvaldo Gonçalves que realiza serviços gerais na Igreja São Bento, diz já ter visto pessoas que utilizam a residência entrarem e esconderem bicicletas e outros objetos suspeitos de furto; carros que estão estacionados perto do local em horários de missa ou funcionamento de um clube próximo, serem arrombados e terem seus equipamentos de som levados. “Durante um descuido a igreja teve seu microfone e pedestal roubados e trocados em um bar da região”,. Informa.

Segundo ele, o uso freqüente de drogas e movimentação com objetos nas folhagens e vasos do jardim; e até um tradicional recipiente para arrecadação de dinheiro dos fiéis teve que ser retirado da igreja por conseqüentes violações, ressalta Edvaldo.

Carlos Eduardo Nery Martins, secretário da paróquia, também manifesta preocupação com fato.Ele conta que já foi encontrada uma espécie de faca escondida no vaso externo da igreja, possivelmente para serrar as portas, pois o mesmo já aconteceu várias vezes para invadir e arrombar o cofre da igreja, que teve que ser retirado da paróquia.

Martins diz que existe uma organização entre os ocupantes da residência, uma espécie de hierarquia e uma pessoa que assobia quando apareçe alguém durante suas articulações do grupo e que o setor é divido e controlado para arrecadar dinheiro através das vigias de carros estacionados.

Maria Cristina Curti, gerente de uma agência bancária ao lado da residência sente-se incomodada pela abordagem que os clientes do banco sofrem para ceder algumas moedas. “ Já acionamos, várias vezes a Polícia Militar e a prefeitura, e pelo visto nenhuma atitude de longo prazo parece ser tomada”.

Julio Basso, corretor de imóveis de uma imobiliária vizinha da casa não sente nenhum prejuízo com a ocupação neste momento. Basso lembra que fez um apelo na Secretaria Municipal de Saúde devido ao mau cheiro, acumulo de sujeiras e altura do mato, pois pode existir a proliferção de insetos e animais transmissores de doenças. “Parece que o problema foi amenizado, o pessoal da prefeitura esteve no local, mas não sei dizer ao certo quais providências foram tomadas. Também pedi para manter a água para que os ocupantes pudessem manter suas higiene básica”.

Segundo as testemunhas, a Polícia Militar comparece ao local quando é solicitada, mas para o Primeiro Tenente da PM Wagner Tadeu Silva Prado pouco pode ser feito, pois o fato necessita de medidas preventivas. “A polícia, quando encontra no local alguém usando drogas encaminha a pessoa para a delegacia”, informa.

O Tenente Prado diz que o caso caracteriza alguns crimes como posse indevida, invasão, destruição, furto de portas e janelas, mas se não há queixa do proprietário não há crime. A PM recebe essas e outras solicitações da população pelo disque 190 e os casos também são muito freqüentes não só na área central, mas nos conjuntos habitacionais e edificações em fase de construção.

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