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Abril azul: solidariedade e inclusão para crianças com TEA

Por: JULIANA MARÇOLA ANGELO

18/04/2017

O mês de abril é conhecido por ser o mês de solidariedade às crianças com autismo, especialmente o dia 02, que foi criado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como o Dia Mundial de Conscientização do Autismo. O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição geral para um grupo de desordens complexas do desenvolvimento do cérebro, antes, durante ou logo após o nascimento. Segundo dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos – órgão equiparado ao Ministério da Saúde Brasileiro - de cada cinquenta crianças que nascem, uma apresenta o TEA.

“O autismo é considerado uma síndrome neuropsiquiátrica. Não há uma etiologia específica, mas alguns estudos sugerem a presença de fatores genéticos e neurobiológicos que podem estar associados ao autismo. Fatores de risco psicossocial também foram associados”, comenta a psicopedagoga especialista em Análise do Comportamento Aplicada ao Autismo, Eucilene Stahlberg Furquim.

De acordo com Eucilene, existem diferentes expressões do quadro clinico com diversos sintomas, porém, os três principais grupos de características são os problemas com a linguagem, na interação social e no repertório de comportamento (restrito e repetitivo). Além disso, existem problemas em relacionar-se com os pares, dificuldades para expressarem seus pensamentos através da linguagem e alguns comportamentos inadequados, como apego à rotina e outras dificuldades que necessitam de intervenção.

A presidente da  Associação de Pais e Amigos dos Autistas de Araraquara (AMPARA),Karina Maia, explica que as crianças com TEA já começam a demonstrar sinais nos primeiros meses de vida. “Elas não mantêm contato visual efetivo e não olham quando você chama. A partir dos 12 meses, por exemplo, elas também não apontam com o dedinho. No primeiro ano de vida, demonstram mais interesse nos objetos que nas pessoas e, quando os pais fazem brincadeiras de esconder, sorrir, podem não demonstrar muita reação”.

A partir dessas observações, é de extrema importância a detecção precoce e o diagnóstico diferencial. “Obtendo um diagnóstico de TEA, deve-se ter o cuidado de proporcionar à criança os atendimentos necessários em equipe multidisciplinar, envolvendo fonoaudióloga, psicopedagoga, terapia ocupacional e acompanhamento neurológico. Através dessas terapias, há também as orientações necessárias para os familiares estimularem e terem conhecimento de como lidar com as crianças”, completa Eucilene.

“A criança autista deve ser criada de forma mais natural possível, o que difere é a atenção redobrada que os pais devem ter com ela, uma vez que não tem muita noção de perigo e não entendem ironias. Em alguns casos, quando sentem algo diferente (como dores) e não conseguem se expressar, podem apresentar algum tipo de comportamento diferente como se auto lesionar ou até mesmo agressividade”, finaliza Karina.

No Brasil, a lei 12.764 (Lei Berenice Piana ou Lei do Autista) garante a inclusão escolar de crianças com autismo com direito a um agente educacional especializado não só para os cuidados de higiene e alimentação, mas para auxilio nas atividades pedagógicas adaptadas, provas e socialização, porém, poucos são os centros especializados que atendam de forma direta os autistas.

Publicada em 18/4/2017 às 23h52.



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